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Informações gerais sobre os principais analgésicos do mercado
Analgésicos são medicamentos que tem como ação principal a analgesia do usuário, ou em palavras mais simples, são substâncias que agem diminuindo ou inibindo a dor.
Existem várias classes de analgésicos, que vão desde os mais simples - e de venda livre - até os mais potentes, com poder sedativo e de venda proibida ou de uso restrito ao hospital, como é o caso da morfina e seus análogos.
Escolhi apenas os principais (mais utilizados e mais comercializados): paracetamol (tylenol), dipirona (novalgina) e ácido acetilsalicílico (aspirina).
PARACETAMOL
Esta substância possui, além do poder analgésico, uma ação antiinflamatória e antipirética (para febre). É, certamente, a mais comum no Brasil. É também comum encontrar o paracetamol na formulação de vários medicamentos contra a gripe. Diferentemente de outros analgésicos, o paracetamol não causa problemas de agregação plaquetária (não altera o tempo de coagulação sanguínea), não causa problemas estomacais.
Até aqui o paracetamol parece excelente, não é mesmo? Pois então, o seu problema está no seu metabolismo, ou seja, nas transformações que o nosso corpo faz na sua estrutura. Ao chegar no fígado, o paracetamol sofre uma alteração química que gera uma substância tóxica que pode lesar células hepáticas, o N-acetil-p-benzoquinona imina. Desta forma explica-se porque o uso exagerado de paracetamol pode causar sérios danos ao fígado. Porém, não há que se ter MUITA preocupação em relação a isso: seu fígado só ficará lesado se você utilizar uma quantidade enorme do medicamento, cerca de 4g/dia.
Dica 1: em casos de ressaca evite o uso de paracetamol. Explico. Após uma noite de bebdeira, seu fígado terá passado por maus momentos, então, para evitar uma briga com ele, evite medicamentos de metabolismo hepático, como é o caso deste.
Dica 2: não tente se matar usando paracetamol, o resultado não é muito eficaz e você correrá sérios riscos de continuar vivo. Há meios mais rápidos e menos dolorosos.
Resumindo: é uma droga com um bom poder analgésico, mas deve-se cuidar com o uso exagerado. Muita gente costuma tomar 2 comprimidos por vez (cada um com 750mg), e isso é ERRADO. Tome 1 comprimido e aguarde as 4-6h. A dor passou? Comemore! Não passou? Aí sim pode tomar outro.
DIPIRONA
Dentre todos os analgésicos populares, a dipirona é a droga que possui a ação analgésica mais potente. É o analgésico que eu mais uso. Gosto dela, pois tem uma potente ação e age muito rápido: em cerca de 15 minutos tudo está resolvido.
No entanto, a dipirona possui um mecanismo de ação extremamente complexo que ainda não está de todo esclarecido: então ainda não se sabe exatamente o que ela pode te causar a longo prazo - na real, em um curto prazo também se sabe pouco. É justamente por esse motivo que ela é proibida em alguns países.
O grande problema dela, segundo cientistas e especialistas no assunto, é a agranulocitose: redução do desenvolvimento de leucócitos (células de defesa). Dizem que pode até causar a morte, porém, até hoje, NENHUM caso desse foi registrado em nenhum lugar do mundo. Verdade ou mentira, precisa-se ter cuidado com seu uso.
Resumindo: evite usar em caso de problemas no seu sistema imunológico ou anemias. Aconselho (veja bem, eu ACONSELHO, mas a decisão é SUA) a utilizá-la apenas em casos que você não possa fazer uso ou do paracetamol ou do AAS.
ÁCIDO ACETILSALICÍLICO
O AAS (ácido acetilsalicílico) foi muito importante para a indústria farmacêutica e, é claro, para a medicina. De tão popular e simples que sua sintetização é, muitas escolas de segundo grau demonstram como obter o AAS nas aulas de química. Ele age como analgésico, anti-pirético, antiinflamatório e anti-agregante plaquetário.
Deve-se tomar cuidado com o uso de aspirina em crianças, pois existe uma rara síndrome (de Reye) que pode ser desencadeada através do uso desse medicamento e causar morte. Além disso, o AAS causa um aumento da liberação de HCl no estômago, podendo resultar em úlceras e outros problemas de acidez estomacal. Para evitar isso, procure utilizar o AAS após ou logo antes das refeições. Fazendo isso você não evitará a liberação aumentada de HCl, no entanto seu estômago não estará vazio eo HCl terá o que "derreter" no lugar da parede do seu estômago.
Já ouviu falar que não se deve tomar AAS em caso de suspeita de dengue? Pois então, como o AAS causa anti-agregamento plaquetário (plaquetas são células presentes no sangue que agem formando a conhecida casquinha de sangue, ou seja, ela forma uma rede para tapar o buraco causado num vaso sanguíneo ou na pele). Existe uma forma da dengue que causa hemorragia, então, una essas duas informações (hemorragia e anti-agregamento plaquetário) e conclua: tomar AAS com dengue fará seu sangue demorar mais ainda para que seja estancado, o que, obviamente, não é o que você quer.
Resumindo: procure evitar o AAS caso tenha problemas estomacais e suspeita de dengue.
***
- Apesar de parecer fácil escolher qual analgésico tomar, lembre-se sempre que uma simples dor de cabeça ou dor muscular pode ser o primeiro indício de alguma patologia mais séria, portanto, em caso de suspeita de qualquer coisa grave, você deve conversar com o seu farmacêutico de preferência ou médico.
- Nunca mastigue os comprimidos e tome-os apenas com água, nunca com coca ou suco (mesmo que seja natural).
Quaisquer dúvidas no assunto, é só deixar seu recado ali nos comentários!
***
Post escrito na tentativa de ganhar a promoção do livro O Andar do Bêbado (Leonard Mlodinow) no grande abóbora, que trata de um assunto que muito me interessa: aleatoriedade.
Existem várias classes de analgésicos, que vão desde os mais simples - e de venda livre - até os mais potentes, com poder sedativo e de venda proibida ou de uso restrito ao hospital, como é o caso da morfina e seus análogos.
Escolhi apenas os principais (mais utilizados e mais comercializados): paracetamol (tylenol), dipirona (novalgina) e ácido acetilsalicílico (aspirina).
PARACETAMOL
Esta substância possui, além do poder analgésico, uma ação antiinflamatória e antipirética (para febre). É, certamente, a mais comum no Brasil. É também comum encontrar o paracetamol na formulação de vários medicamentos contra a gripe. Diferentemente de outros analgésicos, o paracetamol não causa problemas de agregação plaquetária (não altera o tempo de coagulação sanguínea), não causa problemas estomacais.
Até aqui o paracetamol parece excelente, não é mesmo? Pois então, o seu problema está no seu metabolismo, ou seja, nas transformações que o nosso corpo faz na sua estrutura. Ao chegar no fígado, o paracetamol sofre uma alteração química que gera uma substância tóxica que pode lesar células hepáticas, o N-acetil-p-benzoquinona imina. Desta forma explica-se porque o uso exagerado de paracetamol pode causar sérios danos ao fígado. Porém, não há que se ter MUITA preocupação em relação a isso: seu fígado só ficará lesado se você utilizar uma quantidade enorme do medicamento, cerca de 4g/dia.
Dica 1: em casos de ressaca evite o uso de paracetamol. Explico. Após uma noite de bebdeira, seu fígado terá passado por maus momentos, então, para evitar uma briga com ele, evite medicamentos de metabolismo hepático, como é o caso deste.
Dica 2: não tente se matar usando paracetamol, o resultado não é muito eficaz e você correrá sérios riscos de continuar vivo. Há meios mais rápidos e menos dolorosos.
Resumindo: é uma droga com um bom poder analgésico, mas deve-se cuidar com o uso exagerado. Muita gente costuma tomar 2 comprimidos por vez (cada um com 750mg), e isso é ERRADO. Tome 1 comprimido e aguarde as 4-6h. A dor passou? Comemore! Não passou? Aí sim pode tomar outro.
DIPIRONA
Dentre todos os analgésicos populares, a dipirona é a droga que possui a ação analgésica mais potente. É o analgésico que eu mais uso. Gosto dela, pois tem uma potente ação e age muito rápido: em cerca de 15 minutos tudo está resolvido.
No entanto, a dipirona possui um mecanismo de ação extremamente complexo que ainda não está de todo esclarecido: então ainda não se sabe exatamente o que ela pode te causar a longo prazo - na real, em um curto prazo também se sabe pouco. É justamente por esse motivo que ela é proibida em alguns países.
O grande problema dela, segundo cientistas e especialistas no assunto, é a agranulocitose: redução do desenvolvimento de leucócitos (células de defesa). Dizem que pode até causar a morte, porém, até hoje, NENHUM caso desse foi registrado em nenhum lugar do mundo. Verdade ou mentira, precisa-se ter cuidado com seu uso.
Resumindo: evite usar em caso de problemas no seu sistema imunológico ou anemias. Aconselho (veja bem, eu ACONSELHO, mas a decisão é SUA) a utilizá-la apenas em casos que você não possa fazer uso ou do paracetamol ou do AAS.
ÁCIDO ACETILSALICÍLICO
O AAS (ácido acetilsalicílico) foi muito importante para a indústria farmacêutica e, é claro, para a medicina. De tão popular e simples que sua sintetização é, muitas escolas de segundo grau demonstram como obter o AAS nas aulas de química. Ele age como analgésico, anti-pirético, antiinflamatório e anti-agregante plaquetário.
Deve-se tomar cuidado com o uso de aspirina em crianças, pois existe uma rara síndrome (de Reye) que pode ser desencadeada através do uso desse medicamento e causar morte. Além disso, o AAS causa um aumento da liberação de HCl no estômago, podendo resultar em úlceras e outros problemas de acidez estomacal. Para evitar isso, procure utilizar o AAS após ou logo antes das refeições. Fazendo isso você não evitará a liberação aumentada de HCl, no entanto seu estômago não estará vazio eo HCl terá o que "derreter" no lugar da parede do seu estômago.
Já ouviu falar que não se deve tomar AAS em caso de suspeita de dengue? Pois então, como o AAS causa anti-agregamento plaquetário (plaquetas são células presentes no sangue que agem formando a conhecida casquinha de sangue, ou seja, ela forma uma rede para tapar o buraco causado num vaso sanguíneo ou na pele). Existe uma forma da dengue que causa hemorragia, então, una essas duas informações (hemorragia e anti-agregamento plaquetário) e conclua: tomar AAS com dengue fará seu sangue demorar mais ainda para que seja estancado, o que, obviamente, não é o que você quer.
Resumindo: procure evitar o AAS caso tenha problemas estomacais e suspeita de dengue.
***
- Apesar de parecer fácil escolher qual analgésico tomar, lembre-se sempre que uma simples dor de cabeça ou dor muscular pode ser o primeiro indício de alguma patologia mais séria, portanto, em caso de suspeita de qualquer coisa grave, você deve conversar com o seu farmacêutico de preferência ou médico.
- Nunca mastigue os comprimidos e tome-os apenas com água, nunca com coca ou suco (mesmo que seja natural).
Quaisquer dúvidas no assunto, é só deixar seu recado ali nos comentários!
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Post escrito na tentativa de ganhar a promoção do livro O Andar do Bêbado (Leonard Mlodinow) no grande abóbora, que trata de um assunto que muito me interessa: aleatoriedade.
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